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Há doze anos uma alma poeta que se tornaria o amor da minha vida, sussurrou em meus ouvidos: sempre me surpreende a forma disforme, porém clara, de como a vida segue o seu caminho… Desde então, não canso de me surpreender de como a trama da vida é tecida por fios delicados, mas também abruptos e muitas vezes advindos de lugares jamais imaginados. Isso se reflete, claro, na minha profissão: psicóloga, a minha escolha de vida, a minha escolha de  alma.

Nessa profissão, estamos ali, diante do outro, “vestidos do saber” para balizar seu caminho, afinal, a psicologia, per si, pode ser compreendida como uma profissão de ajuda ao outro. Mas será realmente, somente isso?

Costumo dizer que no encontro genuíno com alguém, nada fica impassível. E assim, depois de uma caminhada de quatorze anos na prática clínica, me lembro com um sorriso terno no rosto, dos muitos pacientes que me despojaram do traje do saber e tocaram a minha alma.

Com muitos aprendi a bravura, a força da resiliência que resiste às tempestades do sofrimento e a escassez, muitas vezes de tudo. Com outros aprendi a renascer das cinzas, tal como Fênix, depois do mundo psíquico ter desabado. Com mães, pais e filhos, atravessamos a dor indizível de conviver com a ausência de uma parte de nós mesmos e suportar a dor da separação.

Não vou negar que muitas vezes duvidei, questionei e até pensei em desistir dessa tal de psicologia. Afinal, há também a frustração, a impotência, o não saber, o não saber o que dizer, a insuportabilidade do silêncio, os limites da técnica, os limites do terapeuta.

Mas como disse no início: a vida sempre me surpreende com suas formas disformes, claras e seus fios delicados que cruzam nossos caminhos tecendo a trama complexa e maravilhosa da vida.

Recentemente dois eventos me marcaram profundamente, trazendo os fios para consolidar a minha “trama de psicologia”.

Na finalização do projeto de uma jovem colega psicóloga que versava sobre as angústias do início da profissão, ela, com seu trabalho inspirador e inspirado nos contos de fadas, faz uma alusão a história do Mágico de Oz. Conta-nos a longa jornada de Doroty que uma vez transportada por um furacão para o reino de Oz, busca meios para retornar para casa.  Doroty, então, apela para o mágico de Oz que conforme a crença local teria poderes para realizar o seu desejo. No entanto, ao se deparar com o mágico, esse lhe diz que para retornar para casa, bastava a Doroty, bater seu sapato vermelho mágico, que estavam com ela, desde o início.

O outro fio foi uma mensagem enviada por uma querida e antiga paciente. A mensagem trata-se de um vídeo, outra fábula que se inicia com um homem quebrando pedra debaixo do sol quente. Ao ver outro homem, sentado num elefante que supervisionava seu trabalho, o “quebrador de pedras” reclama de sua função  e do seu sofrimento. Pede, então, a Deus, que lhe transforme no seu supervisor, pois afinal de contas, ser supervisor era ter uma boa vida e ser feliz. Claro que não para por aí. O “quebrador de pedras” não fica satisfeito em ser supervisor e com as dificuldades advindas disso.  Vai pedindo para Deus transformá-lo em sol, nuvem, vento e pedreira. Por fim, como pedreira forte e intransponível, escuta, um dia, um barulhinho, uma fisgadinha e enxerga lá embaixo um homem quebrando pedra. Então, o homem pede novamente a Deus que lhe transforme no “quebrador de pedras”. Deus, nesse momento, lhe diz: mas esse era você no início!!!!. E como esse homem, há muitos de nós que não sabemos quem somos e por isso somos eternamente insatisfeitos.

Com isso, fecho essa trama da minha vida: sou psicóloga, sou feliz e sei disso.

Cecília Gagetti 

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